sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Ao próximo...

Estava relendo algumas velhas postagens e me dei conta: Meu Deus, eu não fiz o que eu tinha colocado como meta em 2014: ajudar o próximo.
O natal veio com as cartas do papai noel, que nao consegui buscar nos correios, o carnaval já passou e eu não pensei ainda em como posso ajudar.
Eu fiquei pensando se nao ajudo melhor escrevendo. Escrevendo pra mim, escrevendo para vocês. Escrevendo palavras aleatórias, sem sentido, soltas, perdidas.
Frases bem construidas ajudariam? 
Te dizer serenamente que tudo o que você está sentindo nesse momento vai passar hora ou outra? 
Que aquela ansiedade nas noites de insonia vão sumir com o toque das minhas palavras, com a sua leitura desajeitada e rápida querendo apenas encontrar a parte do "não vai mais doer, eu prometo".
Dizer que ligar ou não procurar quem você ainda quer encontrar vai te fortalecer e te fazer ser a criatura mais centrada porque você conseguiu esquecer e ignorar, tocar a ficha, viver.
Não, eu não vou fazer isso.
Porque se você ainda precisa procurar, 
Se o que todo mundo te diz te parece tão banal,
Então....
Liga quantas vezes você quiser,
Viva sua insonia,
Viva sua dor entocada em casa,
Vá pra cama com desconhecidos pra amenizar a sua dor,
Perceba que talvez esse nao seja o caminho, que talvez te faça doer mais, mas tente...
E sofra o quanto você achar que deve...
Vá lá. passe noites perdida entre lembranças...
Dias que nao irão voltar,
Telefonemas que não serão atendidos...
Se irrite com tudo isso
E passe a se odiar..
Se odeie..
E então...
Recomece a viver...

E quanto aquela ajuda, eu vou continuar cá pensando....

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Precisava escrever

Achei que agora adulta eu teria o que não tive. Até tive. Por pouco tempo. Será que aproveitei? Será que um dia eu vou conseguir recuperar?
Da vontade de fugir de si, de se esconder, se isolar. Da vontade de dormir e nunca mais acordar.
Tantos projetos, tantos sonhos.
Cade a minha humanidade? Eu quero ser humana a ponto de ter orgulho de mim. Eu quero poder fazer o bem, dar o melhor, ser melhor.
Eu queria poder escrever tantas outras coisas, tantos outros sentimentos.
Agora, da onde eu estou sentada, escuto o silêncio, as vezes ele me ensurdece e outras me acalma.
Tem dias q sossego e outras que os sonhos me atormentam.
 Tão vivos.
Quase consigo tocar.
 Quase consigo falar.
As vezes eu gostaria de poder gritar.
Gostaria de ser melhor do que sou hj.
Sem mesquinhes, sem avareza, sem maldade.
Pura.
Pensamentos tranqüilos.
Em alguns momentos eu consigo. Outros eu me debato.
Quem no final das contas não sofre assim?!
Alguns calados, outros gritando;
Muitos apenas passam.
Será que eu não tenho apenas passado?
Cade a minha força, Cade a minha luta?
Cade eu em mim?!
Me estapeio e não consigo parar.
Parar o que?! Se tudo já parou há tanto tempo.
Me julgo má, me julgo terrivelmente.
E os sons que escuto são apenas os meus ecos de dias aparentemente tranqüilos.
Me busco incessantemente.
Alguém me acha?
 Alguém me encontra nesse bater de gente?
Não são eles que devem me encontrar.
Sou eu a mim.
Não são eles que devem esquecer.
Sou eu a eles.
Não são eles que devem desculpas pelo emaranhado da vida.
Eu me despeço, eu me reencontro.
Todo dia.
O dia todo.

domingo, 13 de julho de 2014

Percepções

Domingo é um dia complicado, vai dizer que não? Você já acorda pensando que terá cinco longos dias de trabalho até o próximo final de semana e, por mais que você passe entocado em casa os dois dias, reza pra que chegue de uma vez.
Aliás, eu fico pensando nessas pessoas, e em mim, que ficam esperando ansiosamente o findi pra poder curtir. Peraí, os outros dias da semana são somente escravidão? Trabalho, casa, filhos, marido, solidão? 
Sou do tipo muito caseira, muito mesmo. Moro numa cidade tão pequenina que não tem o que se fazer no final de semana e, quando fico aqui na companhia do meu siamês-ou não porque ele sai pros passeios matutinos e não sabe voltar cedo- me sinto como se estivesse disperdiçando vida. Aí eu paro e penso: "mas eu tenho que estar sempre em movimento pra aproveitar a minha vida? Ficar em casa na minha companhia não é também aproveitar a mim mesma, minha casa, minhas coisas? 
A vida anda tão maluca que não se sabe mais o que é certo, bom, errado, ruim. A tecnologia vem nos limitando tanto, estamos nos transformando em robôs que agem de forma igual, que precisam gostar das mesmas coisas, sair para os mesmos lugares, beber as mesmas bebidas, senão tá fora de moda. Eu vejo muito isso.
Quando me arranco pra Porto Alegre viver um pouco do agito da grande cidade o lugar mais facil de me achar é na Saraiva. Eu entro naquele lugar mágico, cheio de livros mágicos e me perco no tempo. Depois eu vou e tomo um café na Padre Chagas com uma torta de sorvete espetacular. Dou uma volta no Parcão e vou em direção a minha casa. Se saio a noite? Olha, desde de dezembro que não saio em Porto Alegre. O motivo: não sei. Acho que tô cansada. Acho que tô precisando me reencontrar para poder aproveitar  o que a vida pode me oferecer. Se eu acho perda de tempo? Meu amigo, perda de tempo é você viver iludido ou vivendo uma vida de ilusões. Às vezes é preciso você desacelerar, viver sua solidão genuína pra que daqui a pouco você comece a surpreender a vida, comece a se surpreender e por fim, e menos importante, surpreender as pessoas.
A máxima "Cuidar do seu jardim" é o que vale. 
Não sei se sou apenas eu ou tem mais gente no mesmo barco, não sei se sou apenas eu ou tem alguém mais vivendo dessa solitude, se realmente toda essa alegria estampada nas redes sociais é verdadeira ou uma fantasia.
Com certeza, e eu sinto isso, eu vou surpreender a vida (porque não é ela que tem que me surpreender, que fique claro). Tipo, sabe aquele sexto sentido de mulher? A vida vai ser melhor do que já é e os sorrisos, hora meio apagados e frágeis, vão se tornar o meu melhor cartão de visita.
Claro gente, que fique bem claro que estou escrevendo o que me vem na mente, o que sinto e o que vejo. A vida está maravilhosa porque ter saúde e planos, sonhos já nos faz diferentes de muitos...
Encontrar-se e voltar a perceber-se em alguém é apenas questão de tempo.
E eu não tenho mais pressa.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Reencontrar-se na ajuda ao próximo

Faz tanto tempo que não escrevo no blog que se eu contasse todos os livros que li, filmes que vi desde agosto do ano passado até agora eu esgotaria as letras do meu teclado em questão de segundos.

Entretanto, hoje não estou aqui para falar de literatura e cinema, é pra falar sobre mim mesma e dos meus desejos e sonhos. Na verdade, gostaria de fala sobre um dos meus desejos que ontem surgiu com força total após ver uma entrevista de um senhor que salvou 669 crianças da morte na 2ª Guerra Mundial. Depois eu vi uma postagem de pessoas sendo solidárias umas com as outras ao redor do mundo e o fato de que o amor ao próximo ainda existe e se existe pode ser cultivado e estendido a outras pessoas que querem fazer o bem (sem olhar a quem).

Esse ano tem sido uma verdadeira lição de superação pra mim. Perdi pessoas. ganhei experiência, ganhei rugas, ganhei maturidade, ganhei dor e arrependimentos, chorei litros, mas consegui rir outros mil litros a mais. Deu vontade de morrer, vontade de viver, de apenas se esconder embaixo das cobertas até a dor passar, jogar-se contra a parede e lamentar-se até cansar-se da própria lamúria. Deu vontade de muita coisa e sigo aqui em pé, dias bons, dias ruins, dias de desespero, dias mais felizes que uma risada faz doer o corpo inteiro. Dias de repensar as escolhas e de perguntar-se o famoso "e se". A vida é isso aí e não conseguimos ter um roteiro definido do que irá acontecer no dia seguinte ou na próxima hora.

Enfim, voltando ao foco inicial da conversa (que não sei se será lida por mil, três mil ou quem sabe ninguém). Sou enfermeira e além disso minha família, principalmente a minha mãe, me ensinaram o quão importante é você poder ajudar ao próximo. Às vezes é um abraço que falta, um sorriso pela manhã, um bom dia àquela pessoa que acha que não tem o seu valor na sociedade ou pra ninguém, pra quem trabalha dia a dia ao seu lado e às vezes falta o "muito obrigada ou parabéns". Talvez escrever uma carta a um idoso que não é visitado por sua família no asilo ou uma carta com uma balinha para aquela criança de um orfanato que todos os dias acorda achando que hoje vai ser aquele dia! E sua única esperança ao colocar a cabeça no travesseiro é que conseguirá agradar uma pessoa algum dia e a tornará sua família e amará como ninguém jamais o amou.

Em Porto Alegre há um movimento muito legal nesse inverno. Vários cabides estão sendo postos em árvores em diversos bairros com roupas penduradas e uma placa avisando "pegue, é seu! Se aqueça nesse inverno". E tenho certeza que ao final do dia quando a pessoa que teve essa ideia grandiosa percebe que os cabides estão vazios sente-se mais aquecida do que aquela que pegou a roupa. 

Isso é tornar o mundo melhor, tornar-se melhor, tornar-se útil pro mundo e pra você mesmo, o estímulo que falte, talvez, para você sair da cama e trabalhar todos os dias, beijar sua esposa/ esposo demoradamente ante/após/durante o café da manhã. É quem sabe te dar um suspiro a mais quando acha que vai enlouquecer ao ver o seu filho afogando o gato na privada. É respirar fundo quando alguém te corta no trânsito. 

Humanizar-se de novo nesses tempos de facebook. twitter, emails profissionais. É querer saber do outro mesmo que ele não faça a mínima questão de querer saber de você. É lutar para fazer o melhor a cada dia chuvoso ou ensolarado.

Ninguém vai viver em um filme da Julia Roberts todos os dias, mas são os pequenos momentos de felicidade que vão fazer o seu dia  valer a pena. Acredite. 

Então eu estou aqui sentada pensando em todas essas coisas (as quais não queria escrever, mas acabaram saindo suaves de dentro de mim), no que eu posso fazer para tornar a minha vida mais cheia de vida, ajudar mais do que já ajudo (como enfermeira, amiga, filha e irmã) e me encontro perdida no meio de um burburinho maluco de ideias que não sei como colocar na prática.

Estava lendo agora a pouco uma reportagem de um rapazinho de 9 anos que decidiu escrever cartas para meninos e meninas de outros países peguntando sobre como é viver em seu país, como é sua cultura. Ele arrecadou tantas respostas que criou um site que hoje arrecada fundos e doações para crianças que necessitam. Gente, uma criança!

E eu não sei nem por onde começar, mas acredito que logo eu vou conseguir ter a resposta necessária para começar a olhar o mundo diferente do que eu enxergo hoje. Já o vejo diferente, mas isso não basta para mudar a forma como me relaciono com o universo.

Às vezes a gente não entende o por quê de certos sofrimentos até que a vida te mostra uma maneira de superá-la.

O que posso dizer é: amem muito! E não traiam a consciência de vocês pois se há amor há luta, há volta, há retorno. Entretanto, o pior engano que podemos cometer a nós mesmos é enganarmos na tentativa de fazer o outro acreditar na sua mentira. Então pra que mentir? não mintam e sejam transparentes.

A pior dor não vem da verdade dita e sim da mentira lenta e cruel que nos mata aos poucos sem dó nem piedade.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Morte e Vida de Charlie St Cloud


Voltei a ler com afinco. Teve semanas que estava bem desanimada, cansada, sem vontade. Depois que li Sal, a vontade ressurgiu e os livros que tenho lido são ótimos e fascinantes.

Essa semana terminei de ler Morte e Vida de Charlie St Cloud que até ganhou um filme.Eu sempre achei que o autor que havia escrito era o Sparks, mas me enganei feio! Em uma conversa literário com minha doce amiga Janice (e quem me emprestou o livro) acabei me dando conta que não era o Nickolas e sim Ben Sherwood. Fica aqui meu pedido singelo de desculpas. 

Enfim, leitura super agradável. Trata sobre espiritismo e vida além da morte, sobre perdoar e aprender, superar e continuar. 

Charlie é o irmão mais velho de Sam. Super apegados, vivem uma noite fantástica quando Charlie o leva para assistir ao jogo de beisebol fora de sua cidade. Charlie ainda é menor de idade e na volta pra casa há um acidente envolvendo o carro dos meninos onde Charlie sobrevive mas o pequeno Sam, não. Enquanto o paramédico tenta reanimar Charlie e os dois encontram-se juntos na linha que divide a vida real da espirita, os irmãos prometem que jamais vão se separar e é aí que a vida de Charlie parece terminar.

Por treze anos a vida de Charlie fica limitada ao trabalho no cemitério e os jogos de beisebol na clareira com o seu irmão. Durante todos esses anos Charlie não pode afastar-se da cidade pois se o fizesse perderia o contato para sempre com o seu irmão e dessa forma quebrando a promessa....

....Até conhecer Tess, uma linda jovem determinada a conquista os mares com o seu barco Querência. Ela visita o cemitério visitando o seu pai que morreu há dois anos e em uma dessas visitas, após um acidente marítimo, conhece Charlie. Se apaixonam e é então que a vida dos dois começa a mudar, para sempre.

Adoro assuntos espirituais porque acredito que tudo nessa vida seja possível. Fiquei pensando em como seria a minha vida se eu tivesse que carregar uma culpa por tanto tempo como Charlie, o que eu faria. O livro ensina e mostra que é possível superar as tragédias e que tudo tem um sentido para acontecer.

 Em uma passagem, o bombeiro Florin, que o salvou e alguns anos morreu, fala que tudo que acontece, acontece por um motivo e que mesmo que não entendamos o porquê Deus mostra o caminho mesmo que leve o seu tempo. E que não há tempo para amar, aprender, perdoar. Quando você está determinado a enxergar o que a vida está lhe proporcionando sempre será o tempo de recomeçar. 


Bem, um ótimo livro ara refletir nossas atitudes, aprender a nos perdoar por promessas que se quebraram, que não foram possíveis de se cumprirem. Acredito no que Florin falou e acho que quando chega a nossa hora de compreender a vida mostra por um meio ou outro.

Aprender a sentir a leve brisa, o tocar da água gelada na praia, sentir a areia sob os pés, ouvir um passarinho cantar..pode ser algum familiar seu dizendo que está ali zelando por você em qualquer parte, a qualquer hora.

Recomendo!

Investimento: R$ 12,90 (e-reader) a R$ 19,90



Sinopse

O livro conta a história de um jovem que sobrevive a um terrível acidente de carro, em que o seu irmão mais novo morre. Anos mais tarde, o laço entre os irmãos permanece tão forte que transcende os limites normais entre a vida e a morte. Charlie St. Cloud vive em uma confortável vila da Nova Inglaterra. Todos os dias, ele cuida da grama e dos monumentos do antigo cemitério onde seu irmão mais novo, Sam, está enterrado. Agraciado com um dom extraordinário, após sobreviver ao acidente, ele ainda pode ver, falar e até mesmo jogar com espírito de Sam. É quando conhece a jovem Tess e, o amor o deixa dividido, ao aproximar-se de Tess significa que ele estará deixando seu irmão para sempre?





segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sal



Leticia Wierzchowski é uma das minhas autoras preferidas. Desde que li o livro " Casa das Sete Mulheres" , livro que leio e releio trezentas mil vezes sou apaixonada pela forma que ela desenvolve sua narrativa. Há paixão, há vontade, dolorosamente bem escrita, seus livros ricos em detalhes. Com certeza, ela é pra mim um Érico Veríssimo em versão mulher.
Estava em São Borja retornando a Porto Alegre quando me dei conta de que eu já havia devorado um livro no final de semana e tinha ficado sem nenhum exemplar para a viagem. Há pouco tempo, comprei um tablet e entrei na loja do Google pra ver se tinha algum livro que me conquistasse. Eu era totalmente contra os e-books, apartidária dessa tecnologia que não nos dá a mesma sensação de saborear um livro impresso, com seus cheiro de páginas novas, de resenhar no final da página ou poder sublinhar as passagens mais emocionantes e envolventes de um livro. Certo, eu tive que ceder a todos esses meus pensamentos retrógrados pois me apaixonei totalmente pelos e-books.
Bem, me apaixonei pela sinopse do livro. Me apaixonei já na primeira página e continuei totalmente colapsada até a sua última folha.
Uma leitura sangrenta, dolorosamente difícil  intuitiva,introspectiva. Não tive nem pena, nem dó de nenhum personagem apenas fui aceitando seus destinos, suas desventuras, aventuras. 
O livro é dividido em três partes. A primeira Flora é a narradora, conta sua visão da família  dos acontecimentos, de como tudo aquilo se sucedeu. A segunda parte é contada pelo irmão caçula dos seis filhos de Cecília, Tiberius, sua busca incessante pelo irmão Orfeu, crescimento, amadurecimento, tristezas e desilusões. A última parte chama-se Eles por Eles, onde cada integrante fala de um personagem sob sua perspectiva. E digo, é a melhor e mais instigante.
Eu tenho medo de contar um pouco da história. Medo de antecipar fatos que os leitores devem descobrir por si só. Uma viagem instigante sobre a alma.
Ivan, Cecília, Lucas, Julieta, Eva, Flora, Tiberius, Orfeu. Todos esses personagens à mercê de um visitante: Julius Templeman. Foi a La Duiva conhecer Flora, a escritora que o cativou com seu manuscrito chamado "O Livro". Amaram-se, por pouco tempo. 
Julius, um tipico inglês, professor graduado inicia a trajetória de todo o desarranjo familiar. 
Cecília, a matriarca, vê todos os fatos de desenrolarem enquanto tece seu tricô com todas as cores de lã. Cada cor, um personagem, uma personalidade, uma tristeza. 
Porque depois que Julius chegou a La Duiva  não houvera mais alegria, o Farol enlouqueceu e a família se desgarrou.

O destino foi traçado pelas letras rabuscadas de Flora e tudo se transformou em lágrimas e inverno.

Eu só posso garantir que o livro é sensacional!!! Vale a pena ler, conhecer e se perder entre as tristezas que podem ser tão verdadeiras fora das páginas. 

Pra quem ficou interessado, a autora disponibilizou um Prólogo que pode ser lido gratuitamente. Deixo o site para que vocês possam ler, aprovarem ou não a leitura. 





Sinospse
“Um farol enlouquecido deixa desamparados os homens do mar que circulam em torno da pequena e isolada ilha de La Duiva, expondo-os, todas as noites, às ameaças dos rochedos traiçoeiros. Sob sua luz vacilante, Cecília, matriarca da família Godoy, reconstitui as cicatrizes do passado com linhas e agulhas. Em dolorosa solidão, ela tece uma interminável tapeçaria em que entrelaça as sinas de Ivan, seu marido, e de seus filhos ausentes, elegendo uma cor para cada um.
Muitas gerações da família de origem espanhola zelaram pelo farol naquela ilhota perdida no sul. Apesar da oposição de Doña, sua mãe, Ivan se apaixona por Cecília. Os dois se casam e têm seis filhos — Lucas, Julieta, Orfeu, as gêmeas Eva e Flora, e o temporão Tiberius —, que povoam a ilha com suas personalidades marcantes e talentos misteriosos. Apaixonada pelos livros, a jovem Flora descobre que possui o dom para a literatura e começa a escrever um romance. Tão poderosas
são suas palavras que certas cenas deixam o papel e transbordam para a realidade.
O manuscrito chega às mãos do inglês Julius Templeman, professor de Cambridge e especialista em literatura latino-americana. Tomado pelo frescor e pela vitalidade da criação da jovem, ele decide deixar a Europa e ir até La Duiva para conhecer pessoalmente a autora. Sua chegada provoca mudanças profundas e irreversíveis nos moradores da ilha e no próprio Julius. Ele desperta desejos, desencadeia paixões e torna-se o vértice de um inusitado triângulo amoroso, cujas consequências levam os filhos de Cecília a se espalharem pelo mundo em busca de outros verões.
Com uma linguagem poética, Leticia Wierzchowski dá voz e vida a cada um dos integrantes da família Godoy, criando sua própria tapeçaria delicada e surpreendente, enriquecida por múltiplos e divergentes pontos de vista.”

terça-feira, 4 de junho de 2013

Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres

" ....Naquela hora da noite conhecia esse grande susto de estar viva, tendo como único amparo apenas o desamparo de estar viva. A vida era tão forte que se amparava no próprio desamparo de estar viva. De estar viva- sentiu ela- teria de agora em diante, fazer o seu motivo e tema. Com curiosidade meiga, envolvida pelo cheiro de jasmim, atenta à fome de existir, e atenta à própria atenção, parecia estar comendo delicadamente viva o que era muito seu. A fome de viver, meu Deus. Até que ponto ela ia na miséria da necessidade: trocaria uma eternidade de depois da morte pela eternidade enquanto estava viva.."

Não devemos tentar explicar Clarice, nem o contexto de sua literatura tão perfeitamente reveladora e de certa forma pesada. Não tem como não dar a máxima pra Clarice. Intenso. Apesar de um livro com poucas páginas é complexo lê-lo e entendê-lo. Não tente devorá-la com avidez, absorva aos poucos a mágica de ser Clarice.

Não vou resenhá-lo porque é até difícil defini-lo. No meio do livro eu pensei "que coisa morna" e no final eu já estava absurdamente apaixonada assim como os personagens quando se descobrem e entrelaçam suas mãos.

Concluo apenas que a arte de viver é complexa, difícil, relacionar-se, amar, sonhar, cair e levantar no meio desse universo que nos oferece tantas descobertas e cores e amores (pela vida, pelos homens, por tudo).

Uns irão odiá-la outros irão amá-la. Decida-se você e absorva o que Clarice tem de bom - e de ruim- ao mostrar a face intima de uma mulher confusa sobre sua vida e sobre o mundo.

Sinopse

Aprender a amar e a ser ela mesma é o grande desafio da personagem Loreley, cujo apelido é Lóri. Para o leitor, o prazer maior é ir aprendendo aos poucos a conhecer Clarice Lispector, através da trajetória dessa personagem. Ambientado no Rio de Janeiro, "Uma Aprendizagem ou O livro dos Prazeres" conta a história de amor de Lóri e Ulisses. Lóri é uma moça rica de Campos, principal cidade do Norte Fluminense, que optou por morar no Rio, onde trabalha como professora primária e pode desfrutar de uma liberdade impossível em sua cidade natal. Ulisses é um professor de Filosofia, que conhece Lóri na rua e aos poucos vai conduzindo-a na aprendizagem do prazer.
Loreley é personagem de uma lenda do folclore alemão, que seduz e enfeitiça os pescadores. Ulisses é o herói da epopéia grega, que vence os obstáculos usando a inteligência. As duas personagens de Clarice trazem as características de seus modelos originais e envolvem o leitor numa trama que se torna ainda mais apaixonante por ser uma aventura no mundo da linguagem, sem começo nem fim. A narrativa começa com uma vírgula, como se fosse a continuação de algo já iniciado, e se encerra com dois pontos, indicando que a estória prossegue, embora não apareça no livro.
Como em todas as obras de Clarice Lispector, "Uma Aprendizagem ou O livro dos Prazeres" é um ponto de vista feminino a respeito da vida. Lóri, na verdade, é a personagem central, enquanto Ulisses ocupa um papel secundário, mero referencial para os pensamentos e atitudes de Lóri. O livro conta, acima de tudo, a viagem empreendida por Lóri em busca de si própria e do prazer sem culpa. Uma viagem na qual Ulisses funciona como um farol, indicando onde estão os perigos e o caminho correto para a aprendizagem do amor e da vida.





Investimento: R$ 27,90